O lixo na escola: um problema de todos

O lixo na escola: um problema de todos

Todos os dias, após os intervalos, o mesmo cenário repete-se: lixo espalhado pelo recreio. Ironicamente, os caixotes do lixo continuam quase vazios, mas o chão fica coberto de pacotes de sumo, guardanapos e plásticos. Como alunos responsáveis, deparamo-nos com uma triste realidade: o problema não é a falta de infraestruturas, mas sim a nossa falta de atitude. Investigamos esta “epidemia” de lixo espalhado pela nossa escola e percebemos que esta atitude reflete um problema muito maior que o desrespeito pelo nosso espaço, reflete desinteresse pelo ambiente e pelo impacto que  causamos no mundo.

O Mistério do Lixo que Falha o Alvo:

Basta dar uma volta pelo recreio no fim do intervalo grande para perceber que algo está muito errado. Temos ecopontos amarelos, azuis e verdes, além dos caixotes de lixo normal, espalhados a cada dez metros. Estão limpos, com sacos novos e prontos a usar. No entanto, o chão parece um autêntico tapete de embalagens. Por que é que isto acontece? Durante a nossa reportagem, observámos os nossos colegas e a resposta é chocante: pura preguiça e a velha mentalidade de que “alguém vai limpar”. Deixar cair o pacote de sumo no chão enquanto se caminha para a sala de aula tornou-se um gesto automático. Esquecemo-nos de que as funcionárias da escola não são nossas empregadas pessoais e que o recreio da escola é um espaço comum a todos.

Nas aulas de Geografia, passamos horas a falar sobre a importância do desenvolvimento sustentável. Discutimos como os países precisam de se organizar para salvar o planeta. Mas que moral temos nós para exigir que os governos mudem as suas políticas se nem sequer conseguimos acertar com um pacote de bolachas dentro de um caixote que está a três passos de distância? A verdade é que a sustentabilidade não é apenas uma matéria para os testes de Geografia, deve ser uma prática diária. Quando atiramos lixo para o chão, estamos a contribuir para a poluição do nosso espaço, e demonstramos uma total falta de educação cívica. Com o vento ou a chuva, muitos destes plásticos acabam nos ralos e, eventualmente, nos cursos de água, agravando oproblema global dos oceanos.

Ser um “Jovem Repórter para o Ambiente” obrigou-nos a olhar ao espelho. A solução para este problema não custa dinheiro, não exige tecnologia avançada nem novas leis. Exige apenas dez segundos do nosso tempo. O tempo de segurar o lixo na mão, caminhar até ao caixote e depositá-lo no lugar certo (de preferência, separando as embalagens no ecoponto). A mudança começa com cada um de nós. Se virmos um amigo a deitar lixo para o chão, temos de ter a coragem de o chamar à atenção. Só com uma atitude de respeito pelo nosso pátio conseguiremos provar que somos uma geração realmente preparada para proteger o futuro do planeta.

Miguel Monteiro; Mariana Carvalho; Júlia Antonio; João Pereira – 9ºC